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Estudante denuncia importunação sexual enquanto acompanhava avó em tratamento de câncer no Hospital Oswaldo Cruz

Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife Reprodução/TV Globo Uma estudante de 21 anos denunciou ter sido ví...

Estudante denuncia importunação sexual enquanto acompanhava avó em tratamento de câncer no Hospital Oswaldo Cruz
Estudante denuncia importunação sexual enquanto acompanhava avó em tratamento de câncer no Hospital Oswaldo Cruz (Foto: Reprodução)

Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife Reprodução/TV Globo Uma estudante de 21 anos denunciou ter sido vítima de importunação sexual por um funcionário do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, na região central do Recife. Segundo o relato da vítima, o abuso aconteceu enquanto ela acompanhava a avó com câncer durante a última sessão de radioterapia. O caso aconteceu na noite de terça-feira (6) e o boletim de ocorrência, registrado às 21h05, classifica a ocorrência como importunação sexual. Segundo o relato da jovem, o profissional de saúde passou a mão em um de seus seios e em suas nádegas, dentro da sala de radioterapia. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso, mas o suspeito, embora tenha sido conduzido à delegacia, não foi preso, nem autuado em flagrante. A estudante, que não terá a identidade revelada, contou que estava filmando a movimentação da avó, em um momento que considerava especial por ser a última sessão do tratamento. Ela disse que, ao baixar o celular, o profissional se aproximou por trás e a tocou. “Ele veio por trás de mim, no meu seio, e foi descendo a mão pelas minhas costas e passou na minha bunda. Ele alisou. E aí eu gelei, não podia fazer nada, porque eu não podia deixar minha avó nervosa. Eu só pensei na minha avó”, disse a estudante. Agora no g1 O suspeito é um físico médico, profissional formado em física que atua em áreas que utilizam radiação, com aspectos como planejamento e cálculo das doses de radiação, controle de qualidade dos equipamentos e segurança dos tratamentos. A estudante contou que, em choque e tremendo muito, entrou numa cabine onde havia um leito vazio e começou a chorar e a ligar para o noivo, para que ele a buscasse no hospital. A princípio, ela pensava que o suspeito era um médico. Nesse momento, técnicas em enfermagem a viram e perguntaram o porquê do nervosismo. A jovem tentou despistar as profissinais e disse que estava chorando por estar feliz com a última sessão de radioterapia da avó, mas uma das funcionárias desconfiou que algo tinha acontecido. "Ela disse 'estou vendo que não é isso, porque você está muito nervosa'. Eu só estava gaguejando e disse 'o médico' e eu mostrei o que ele tinha feito. Eu não dei a descrição dele. Ela pegou o celular, mostrou uma foto e disse 'foi esse aqui?'. E eu confirmei. Aí ela disse 'meu Deus, ele não pode ver uma mulher bonita, não se preocupe, que ele já tem antecedentes aqui, vamos colocar você numa sala'", contou. A estudante contou que, de tão nervosa, entrou em estado de choque. "Só queria tomar banho e me lavar, porque estava me sentindo imunda e pensando o que eu tinha feito, se tinha olhado para ele de um jeito diferente, o que eu tinha feito para ele fazer isso comigo. Estava pensando na minha avó, que estava sem entender nada, sozinha." Profissionais da unidade chamaram a polícia, que, segundo a jovem, demorou mais de duas horas e meia. Suspeito, vítima e testemunhas foram levados à Delegacia da Mulher de Santo Amaro, no Centro do Recife. A mãe da vítima, que também não será identificada, disse que a filha precisou de atendimento médico após o ocorrido e relatou preocupação com os efeitos psicológicos da situação. Também contou que encontrou a filha muito nervosa e que outras profissionais do hospital perceberam o estado emocional dela. "Eu me sinto impotente. Uma dor que atravessa meu peito, minha existência. Esses homens abusadores se acham no direito de passar a mão. Estou preocupada com minha filha, porque eu saí de lá [da delegacia] e fui para o hospital. Ela teve uma síncope nervosa, está medicada e são danos psicológicos que não sabemos como vão se conduzir pelo resto da vida da minha filha", disse a mãe. A família questiona o porquê de o suspeito não ter sido preso, e teme que imagens de câmeras de segurança do hospital sejam apagadas. A advogada Graça Pragana, que acompanha a vítima, afirmou que solicitou à polícia que preserve e analise as câmeras de segurança existentes no local, e também pediu que fosse lavrado auto de prisão em flagrante, o que foi negado. "Esse pedido foi negado sob o argumento de que a prova testemunhal que tínhamos naquele momento, que levamos, não presenciou o fato. E, sim, fez o acolhimento da vítima após o ocorrido, no momento em que ela estava muito abalada, chorando. Nos surpreendeu, porque nós, mulheres que enfrentamos os crimes de violência de gênero, dessa natureza, buscamos a Justiça para, justamente, dar voz à voz da vítima. A voz da vítima tem que bastar, tem que ser suficiente", declarou. O que diz o poder público O g1 perguntou, mas não obteve resposta da Polícia Civil sobre por que o suspeito não foi preso em flagrante. A corporação disse somente que está investigando o caso por meio da 1ª Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher e que "as diligências foram iniciadas imediatamente, com a realização das primeiras oitivas e a solicitação das imagens das câmeras de segurança do local, entre outras providências necessárias à apuração dos fatos". Também procurado, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz, que é vinculado à Universidade de Pernambuco (UPE), disse que o profissional é funcionário de uma empresa contratada e que prestou acolhimento à jovem e família, "tendo adotadoas providências administrativas cabíveis". O hospital afirmou que, nesta quarta-feira (7), notificou formalmente a empresa responsável, "solicitando o afastamento imediato do profissional envolvido e sua substituição, de modo a assegurar a continuidade dos serviços enquanto os fatos são apurados". VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias